sábado, 1 de março de 2014

Confira as 14 praias para se conhecer em 2014 no Brasil

ROBERTO DE OLIVEIRA
NO LITORAL

Há quem se amarre em destinos muvucados. Ok! Nesta época do ano, o que não falta são lugares assim: apinhados de banhistas dentro e fora da água, criançada correndo, aquele cheirinho de queijo de coalho assado na brasa e, triste e não raro, lixo que corre da areia para o mar.
Mas tem muita gente que prefere suar a camisa para alcançar o paraíso: encarar trilhas no meio do mato com o sol a pino só para se dar ao luxo de ter uma praia "sua", "exclusivíssima", "deserta", em lugarejos remotos do paísPara essa turma, pouco importa se vai ter uma barraquinha com banheiro, vendedores de camarão, isopor abarrotado de cervejinha gelada ou um sujeito metido a barman, sacolejando aquela caipirinha de lima-da-pérsia.
O barato desse pessoal é pisar na areia, desvendar o litoral brasileiro e, com certo orgulho, bater no peito para dizer: "Hum, eu conheço".
De Santa Catarina ao Ceará, a ideia nas páginas que se seguem não é criar um ranking das praias mais lindas do litoral brasileiro –mas, sejamos sinceros, a maioria das indicações vale a viagem e, é bom dizer, nem todas vão exigir "sacrifício" do viajante.
Nem tanto ao mar, nem tanto à areia: as praias selecionadas misturam um pouquinho de cada ingrediente. Algumas são, sim, badaladas. Nem por isso, no entanto, elas devem ser ignoradas.
O litoral brasileiro, com seus cerca de 8.000 quilômetros, não é território de areia branca, fofinha e fininha, que se mistura ao azul-bebê, como o do Caribe, mas há sempre um espacinho para curtir a natureza da mata atlântica sem ser importunado por barulho e excesso de gente.
Vale lembrar, contudo, que estamos no verão -muvuca sempre há de pintar por aí.
Na seleção de "Turismo", praias com ondinha e com ondonas se revezam com outras que simplesmente parecem piscinas naturais.
Coqueirais? Claro, eles estão por toda parte, assim como as amendoeiras dão o ar da graça na areia. Paisagens emolduradas ora por falésias, ora por dunas, alternam-se entre modestos vilarejos e condomínios luxuosos.
Que tal ampliar seus horizontes no embalo da maré?
*
MUNDAÚ (CE)
Guarde bem esse nome. Quem se aventurou de Fortaleza até Jeri com certeza passou por Mundaú. Só que essa praia não foi feita para se "passar" por ela, mas, sim, permanecer um bocado de tempo por ali. Avistando o mar no alto das dunas, assistindo aos recortes do rio que desemboca no Atlântico, curtindo o sabor lento e leve de sua gente. Mesmo nos períodos de verão, Mundaú não é, digamos, tão frequentada. Segue sendo pacata, com o mar passeando ora pelo verde, ora pelo azul. O rústico ambiente da vila de pescadores contrasta com as charmosas pousadas que começam a pipocar à beira-mar.
REDONDA (CE)
Quem foi a Canoa Quebrada, distrito de Aracati, e não deu uma esticada até Icapuí, precisa voltar ao litoral leste do Ceará e apreciar suas praias. Um "festival" de falésias avermelhadas, beirando o mar verdinho, anuncia o espetáculo. Pedras coloridas, dunas, arrecifes, coqueirais e... cactos, típicos da caatinga.
Aos seus pés, a singela vila da praia Redonda, com cerca de 600 famílias, que se dedicam à pesca da lagosta, especialidade da culinária. Redonda tem 6 km de extensão e formações rochosas em pleno mar. O litoral é bem peculiar, recortado por dunas e falésias, formando um visual diferente a cada praia de Icapuí. E ainda há a foz do belíssimo rio do Arrombado. Paisagens selvagens e um clima de tranquilidade completam o pacote.
PONTA DO MEL (RN)
É um vilarejinho que parece perdido no tempo. Fica na Costa Branca, região cravada quase no encontro do litoral do Rio Grande do Norte com o do Ceará –o nome é uma alusão às dunas e montanhas de sal que predominam na paisagem, somadas às praias desertas. No alto das falésias, cactos. A impressão é a de que a caatinga está à procura do gostinho do mar.
Em toda a sua rudeza, o agreste se torna mais peculiar ao ocupar dunas gigantescas e se alastrar por falésias coloridas, com o mar turquesa coroando esse contraste. Um farol orienta as embarcações nessa "esquininha" do Brasil.
BARRA DE CAMARATUBA (PB)
Vilinha rústica de pescadores, Barra é a primeira praia com estrutura do lado paraibano, quase na fronteira com o Rio Grande do Norte. Fica a cerca de 100 km de João Pessoa. Extensa e desabitada, a praia reforça o cenário de tranquilidade encontrado no bucólico vilarejo, onde vivem cerca de mil moradores.
Se quiser um bocadinho de agito, vá durante os campeonatos de surfe. Se você não curte onda, dá para aproveitar as águas calmas nas prainhas que se formam na foz do rio, cartão-postal da região. Uma dica é atravessá-lo de balsa e visitar a aldeia e suas lagoas, na reserva do município de Baía da Traição.
COQUEIRINHO (PB)
Divulgação/PBTUR
ORG XMIT: 493901_0.tif Paisagem de praia em Coqueirinho (30 km de João Pessoa - PB). (Coqueirinho, PB. Foto de PBTUR/Divulgação)
Praia em Coqueirinho
É no litoral sul, a 30 km da capital João Pessoa, onde estão as praias mais belas da Paraíba, com uma estrada em ótimo estado que facilita a viagem. A paisagem inclui os coqueirais que deram origem à praia. De um lado, arrecifes formam piscinas, ideais para crianças; do outro, surfistas deslizam nas ondas. Graças à barreira de corais que cerca as suas oitos baías, a temperatura da água fica em 28°C. Uma pedida é percorrer, a pé, os cerca de 3 km entre as praias de Tabatinga, com falésias e mansões, e a mais procurada por banhistas, Tambaba, primeira praia oficial de nudismo do Nordeste.
CARNEIROS (PE)
A bela capelinha rodeada de coqueiros já se transformou no clássico cartão-postal dessa praia, com seu verde-oliva refletindo-se nas águas transparentes. Tem rio e tem mar, além de trechos de mangue. Outro atributo é que ela é curtinha, com seus coqueirais sombreando a areia. Quando a maré se acalma, lá se formam piscinas naturais, repletas de peixes. Mas, verdade seja dita, Carneiro se revela por completa na maré alta. Por isso, nada de encarar aqueles passeios bate e volta para conhecê-la, hein?
JAPARATINGA (AL)
A estradinha corta a orla por um imenso sombreado formado por um jardim de coqueiros ao lado daquele marzão cor de Caribe. É a chamada Costa dos Corais, área de preservação ambiental ao norte de Maceió. No caminho, que os nativos batizaram de Rota Ecológica, fica Japaratinga -e fica também São Miguel dos Milagres. O lugar teve suas praias imortalizadas pelo filme "Deus É Brasileiro'', do alagoano Cacá Diegues. As paisagens são recortadas por falésias, pedras e barreiras de corais. Engana-se quem acha que falta infraestrutura: há restaurantes e pousadas charmosíssimas na região.
ILHA DE SANTO ALEIXO (PE)
Dona de pequenas enseadas, de mar calmo. As praias voltadas para mar aberto revelam um paraíso de águas cristalinas, tipo Polinésia, perfeitas para "snorkeling". A maioria dos turistas deixa a muvuca de Porto de Galinhas e segue para a ilha. Chegar lá é como se desligar do mundo, num ambiente desprovido de infraestrutura, perfeito para ir a dois -ou sozinho, para contemplar a natureza. E, o mais bacana, o vaivém da maré vale como válvula de escape para esquecer dos amargos da vida. Como não há hospedagens, é preciso ficar em Porto de Galinhas ou Carneiros.
PENÍNSULA DE MARAÚ (BA)
Maraú oferece algo mais do que sossego à beira-mar e um leque de passeios ecológicos. A começar pela variedade de paisagens. Extensos manguezais, uma sucessão de praias a perder de vista sem vivalma e piscinas naturais coloridas por cardumes -talvez a inacessibilidade ainda consiga preservar essas características. Sem contar sua simpática vilinha de Barra Grande. Ruas de areia, pracinha, casas simples e a igrejinha de São Sebastião, de 1855, imprimem ar bucólico ao lugar. E, o que é melhor, sem tiques turísticos. Porta de entrada de Maraú para a maioria dos visitantes, o vilarejo é o ponto de partida dos passeios pela península. Um deles percorre a terceira maior baía do Brasil, a de Camamu, passa por manguezais e ilhas, como a da Pedra Furada, que, como o nome diz, tem grande parte das pedras encontradas no local com furos, provocados por um molusco que a habita.
PONTA DO CORUMBAU (BA)
Se o seu negócio é esticar-se numa praia e esquecer-se da vida no melhor estilo baiano, uma dica é explorar o extremo sul do Estado. Longe de axé e do rebolado, onde barulho mesmo só o do movimento da maré, fica um pouquinho mais abaixo, em Corumbau. O próprio nome ajuda a entender o lugar: Corumbau significa "longe de tudo" na tradução tupi. Numa das regiões mais belas da Bahia, esse "corredor" de areia descortina, de um lado, um piscinão de águas calmas, cristalinas e esverdeadas e, do outro, o mar agitado, "cortado" pela foz do rio Corumbau. Para aproveitar o pontal e os seus quase 2 km de recife e areia que avançam mar adentro, o ideal é acompanhar o movimento da maré. Quando ela sobe, a ponta desaparece no meio das ondas.
MORERÉ - BOIPEBA (BA)
Há quem enxergue na transparência de suas piscinas naturais semelhanças com os mares do Caribe. Outros acreditam que aquela parte da Bahia é única, sem precedentes. Depois de cair em suas águas, ninguém mais duvida: Boipeba vale o esforço que envolve a jornada até lá. Se a maré não estiver baixa, espere por ela à sombra das amendoeiras. Quando a água baixar, dá para caminhar com a água, azul-bebê, na cintura, apreciando os peixinhos. O povo que está em Morro de São Paulo costuma chegar em embarcações. Turistas vindos de outras partes de Boipeba alcançam esse paraíso depois de atravessar o rio Oritibe, possível na maré baixa. Quer saber? Qualquer iniciativa vale a pena para pisar em Moreré.
BRAVA DA ALMADA (SP)
João Wainer/Folhapress
ORG XMIT: 020201_1.tif ESPECIAL / REVISTA DA FOLHA / SAO PAULO / 30.01.2008 / (Fotos: Joïo Wainer) Fotos da Praia Brava da Almada, no litoral norte de Ubatuba pasra mat ria especial da Revista da Folha sobre as 10 melhores praias do Brasil. (PROIBIDA A UTILIZACAO SEM A EXPRESSA AUTORIZACAO DO AUTOR)
Praia Brava da Almada, em Ubatuba
Fica no norte de Ubatuba. Um morro de cada lado esconde um paraíso em meio à mata atlântica. A trilha de acesso percorre um caminho levemente íngreme, coberto por árvores centenárias. De repente, o barulho da arrebentação. No canto direito de quem chega pela trilha, um riozinho serpenteia pedras e areia até se encontrar com o mar. Ondas se quebram diante de uma área verde, separada por uma faixa de areia com cerca de 1,5 km de extensão. Com boa dose de sorte, vê-se golfinhos ou a chegada de tartarugas.
CONCEIÇÃO (SC)
Praia de águas de um verde quase caribenho. O ponto alto é uma piscina natural, cercada por uma espécie de muralha que freia a entrada excessiva de água do mar, mantendo o nível sempre na altura um pouco acima da cintura de um adulto. Dá para ver os peixinhos nadando para lá e para cá. Da praia até a piscina são cerca de 20 minutos caminhando pelas pedras do costão. Território da família Schürmann, primeira do Brasil a circunavegar a Terra a bordo de um veleiro, Conceição está em Bombinhas, península do litoral catarinense.
ILHA DO MEL (PR)
Pode apostar, o Paraná guarda boas surpresas em seu litoral. As praias mais paradisíacas modelam ilhas.
Na mais famosa delas, a do Mel, estão 12 das melhores praias do Estado, de águas cristalinas e separadas por florestas da mata atlântica.
Ao menos cinco delas ficam dentro da área de estação ecológica. São desertas, do tipo que dá para nadar, digamos, à vontade. Para desbravar o trecho mais bonito desse litoral, um ingrediente não pode faltar na sua mochila: espírito aventureiro. 

site Folha de S. Paulo

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Uso da terra no país está mais eficiente, porém excludente

GIULIANA MIRANDA

DE SÃO PAULOUm dos mais abrangentes estudos já feitos sobre o uso da terra no Brasil indicou um descolamento, sobretudo na Amazônia, entre a alta do desmatamento e o crescimento da produção agropecuária.
"Ao analisarmos as duas últimas décadas está claro. Em 1995, a expansão na agricultura coincidiu com uma alta significativa no desmatamento. Em 2004 e 2005, com o pico da pecuária bovina, ocorreu a mesma coisa. A partir daí, no entanto, observamos que tem havido uma separação maior nesses eventos", diz David Lapola, professor da Unesp em Rio Claro e autor principal do estudo.
Embora essa mudança já tenha sido bastante positiva, a relação dos produtores com o meio ambiente ainda está longe de ser a ideal, diz o estudo, que analisou mais de uma centena de trabalhos e foi capa da revista "Nature Climate Change".
"Não foi só boa vontade do setor produtivo. Houve uma intensificação da fiscalização, que foi acompanhada de outras ações na Amazônia", explica Lapola.
Nos outros biomas, que não recebem a mesma atenção dispensada à fiscalização da Amazônia, foi em boa medida o próprio setor produtivo o responsável pela mudança. "Mercados do exterior, especialmente a Europa, também estão mais exigentes quanto à origem", afirma o cientista.
Mais produtiva, a agropecuária no Brasil também está cada vez mais excludente.
Questão antiga no país, a concentração de terra para a monocultura para a exportação está cada vez mais intensa, empurrando mais e mais pessoas para áreas urbanas já saturadas, intensificando problemas sociais.
As grandes propriedades, com mais de mil hectares são somente 1% das fazendas brasileiras, mas representam cerca de 50% das terras agrícolas do país.
Além de apontar problemas, o trabalho sugere soluções, como intensificação das práticas de manejo, criação de políticas públicas e também o pagamento por serviços florestais. 

site Folha de S. Paulo

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Uma lei para salvar o planeta


  • EUA debatem iniciativa histórica, que forçaria o corte nas emissões de gases-estufa por usinas a carvão

Fumaça sai de chaminés de usina a carvão no estado americano do Kansas: govero Barack Obama pretende aprovar regulamentação que vai forçar geradoras de energia a cortarem suas emissões de gases-estufa
Foto: Charlie Riedel / AP/Charlie Riedel
Fumaça sai de chaminés de usina a carvão no estado americano do Kansas: govero Barack Obama pretende aprovar regulamentação que vai forçar geradoras de energia a cortarem suas emissões de gases-estufa Charlie Riedel / AP/Charlie Riedel
WASHINGTON - Enfrentando maratonas de reuniões, dezenas de advogados, economistas e engenheiros da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) lutam para criar o que pode vir a se tornar uma peça histórica no legado do presidente Barack Obama para o combate às mudanças climáticas. Se os autores forem bem sucedidos na elaboração de uma regulamentação forte e eficaz na determinação de cortes de emissões de carbono em 1.500 usinas a carvão americanas - a maior fonte de gases do efeito estufa do país -, o resultado pode ser a mais significativa ação já tomada pelos EUA no combate às mudanças climáticas. O país é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global.
Se a regulamentação for muito frouxa, o impacto ambiental pode ser mínimo. Mas, se for muito dura, pode levar ao fechamento de usinas antes que haja alternativas energéticas para substituí-las, o que poderia ocasionar blecautes de energia e anos de batalhas legais.
- O fracasso não é uma opção - afirmou o diretor-executivo da Associação Nacional de Limpeza, William Becker.
Em seu pronunciamento “Estado da União”, Obama deixou clara a intenção de usar sua autoridade - garantida pela Lei do Ar Limpo e por uma decisão de 2007 da Suprema Corte - para sancionar as novas regulamentações de redução das emissões de CO2. Ele está pressionando a agência a concluir os debates o mais rápido possível.
O presidente ordenou à EPA que apresente um rascunho da regulamentação já em 1º de junho. A nova lei deve orientar os estados a criar e executar planos para atender às metas nacionais para emissões de gases-estufa. Em princípio, as usinas poderiam não apenas cortar emissões, mas, por exemplo, usar tecnologias mais limpas, investir em fontes renováveis de energia e ainda fazer parte de um mercado de carbono - financiando, por exemplo, projetos em outros países.
Num primeiro momento, a nova lei atingiria as 600 usinas dos EUA que são movidas a carvão e pode, simplesmente, levá-las ao fechamento, dependendo de como a legislação for escrita. Estados em que a maior parte das usinas é movida a carvão estão fazendo um lobby pesado contra determinações mais radicais, alegando que ela pode levar ao colapso do fornecimento de energia.
Em geral, o carvão responde por 40% da energia elétrica produzida nos EUA. Mas em estados como Kentucky, Ohio e Missouri, o percentual vai de 80% a 90%. Por outro lado, se a legislação deixar muita abertura para cada estado decidir por si, corre o risco de não conseguir alcançar meta alguma e se tornar ineficaz.
site O Globo

domingo, 9 de fevereiro de 2014

CNA vai estudar texto da Farm Bill para avaliar impactos econômicos Nova lei agrícola dos EUA amplia gastos do governo com as políticas de seguro agrícola

Site globo rural
A área técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pretende se debruçar sobre o texto de 950 páginas da nova Lei Agrícola (Farm Bill) dos Estados Unidos, para avaliar os impactos econômicos para o agronegócio brasileiro. O documento, já aprovado pelo Congresso, deve ser sancionado pelo presidente Barack Obama nos próximos dias.
Segundo a CNA, uma primeira avaliação é que o impacto econômico da nova lei para a agricultura brasileira é neutro a curto prazo. "Só será possível avaliar o impacto em termos de mercado quando e se os preços internacionais estiverem num nível mais baixo", informa a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, em comunicado.
A mudança mais relevante introduzida pelos congressistas foi o fim dos pagamentos diretos aos produtores rurais norte-americanos. Os recursos eram transferidos de acordo com o tamanho das propriedades rurais e independentemente da produção corrente. Os pagamentos anti-cíclicos também foram eliminados.
Agora, não podendo mais contar com esses recursos, um dos principais mecanismos disponíveis aos produtores é o de seguro agrícola. No caso do algodão, a lei estabelece um programa específico que protege de 70% a 90% da renda estimada e mais 20% em cima da rentabilidade média da região do produtor.
Enquanto no Brasil, o governo paga até 70% do valor do prêmio do seguro agrícola, o estado americano pagará 80% do valor do prêmio, além de todos os custos administrativos, barateando, assim, o preço da apólice para o produtor, informa a CNA.
A nova lei agrícola dos Estados Unidos amplia, portanto, os gastos governamentais com as políticas de seguro, seguindo a tendência dos últimos anos. De 2003 a 2012, essas despesas subiram de US$ 3 bilhões para US$ 13,5 bilhões, muito acima do nível do Brasil. Em 2012, o governo brasileiro desembolsou R$ 318,2 milhões (US$ 132,6 milhões) para os produtores rurais.
Apesar de avaliar como neutro o impacto econômico da nova lei, Kátia Abreu observa que há pendências em relação às determinações da OMC no contencioso do algodão. Alguns programas condenados pelo órgão de solução de controvérsias foram eliminados mas, no caso das garantias para o crédito à exportação, houve uma modificação modesta. O prazo do contrato foi reduzido de três para dois anos, superior aos 16 meses acordados pelos países em 2010.
Estão mantidos, ainda, mecanismos de sustentação de preço (marketing loans). Outro tema pendente, no que se refere ao algodão, envolve o rompimento unilateral, por parte dos Estados Unidos, do Acordo-Quadro assinado em 2010 como solução temporária para evitar a retaliação por parte do Brasil.

Lei de Agricultura -EUA -Farm Bill

Farm Bill

MPF quer suspender agrotóxico com Benzoato de Emamectina em Mato Grosso

Site agrolink

 
MPF quer suspender agrotóxico com Benzoato de Emamectina em Mato Grosso
24/01/14 
O Ministério Público Federal de Mato Grosso recomendou ao Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) que não autorize a importação e a aplicação de agrotóxicos que contenham o ingrediente Benzoato de Emamectina para ser usado no combate à lagarta Helicoverpa armigera. A praga tem atacado diversas lavouras de soja, milho e algodão do Brasil.

Em função dos prejuízos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) decretou novo estado de emergência fitossanitária em 99 municípios mato-grossenses neste mês de janeiro.

Com o decreto, o uso de agrotóxicos que contém a substância Benzoato de Emamectina, proibida no Brasil, foi liberado.

Porém, Ministério Público Federal (MPF) sustenta que o produto é extremamente tóxico ao organismo humano podendo resultar em malformações em fetos. Por esse motivo, a legislação nacional impede o registro do agrotóxico para a comercialização no Brasil, bem como sua aplicação no caso de emergência fitossanitária. A posição é embasada em cima de estudos realizados no Exterior.

Conforme a recomendação do procurador da República Felipe Bogado ao Indea, a importação e aplicação de agrotóxicos que possuam o Benzoato de Emamectina não podem ser liberados.

“Os estudos científicos comprovam que essa substância é extremamente tóxica ao organismo do ser humano e por ser uma ação extremamente agressiva, o uso de agrotóxicos não pode ser considerado o único modo para impedir a proliferação de pragas, pois existem inúmeras outras medidas que podem ser adotadas”, disse.

Entre as medidas para o controle da Helicoverpa armigera estão: o uso de cultivares que restrinjam ou eliminem as populações da praga; vazio sanitário para deixar a terra sem cultivo com períodos livres de hospedeiros; o uso de armadilhas, iscas ou outros métodos de controle físico; além de práticas culturais, como rotação de culturas.

A recomendação do MPF foi encaminhada nesta quarta-feira (22.01). O Indea tem 15 dias para responder se irá acatar a recomendação.

Benzoato de Emamectina já foi proibido em outros estados do Brasil

No Paraná e em Mato Grosso do Sul, as agências de defesa agropecuária atenderam a recomendações do MPF e não autorizaram a importação de agrotóxicos à base do Benzoato de Emamectina, dada a inexistência de registro no Brasil.  

Na Bahia, uma ação proposta pelo Ministério Público Estadual obteve uma decisão judicial proibindo a autorização para a importação e uso de agrotóxicos com Benzoato de Emamectina.

Agrolink
Autor: Lucas Rivas

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Programa de Pós-graduação da ENBT recebe conceito 5 da Capes

O conceito 5 foi obtido pela Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ) na última Avaliação Trienal dos cursos de pós-graduação stricto sensu feita pela Capes. Os resultados foram divulgados em 10/12. Essa conquista contribui para consolidar ainda mais a ENBT como uma importante Instituição de Ensino Superior. "Com a nota 5 temos a possibilidade de obter mais bolsas e mais recursos", explicou a diretora Neusa Tamayo. A meta agora é alcançar a nota 6 na próxima avaliação. 
 
A ENBT foi criada em 2001 e seu quadro atual é de 22 docentes, formados principalmente por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). As áreas de concentração do Programa estão voltadas para o conhecimento da Diversidade Vegetal e Ecologia de Ecossistemas Neotropicais.
 
A avaliação de pós-graduações é realizada pela Capes desde 1976, em um sistema conduzido por comissões de consultores vinculados a instituições das diferentes regiões do país.